"É preciso não esquecer que a revolução africana está ao serviço da Paz e do Progresso de toda a humanidade."
Amílcar Cabral (1921-1973)
O pensador e o activista caboverdiano e guinea-bisseano e pan-africanista Amílcar Cabral foi assasinado no 20 do janeiro de 1973 pela polícia política do regime do Salazar, PIDE. Mas junto com outras vítimas do racismo Portugues e internacional a herança dele vive ainda hoje na luta mais significante da história da humanidade, contra racismo.
Blog de notícias - olhares à vida moçambicana por um antropólogo finlandês, Janne Rantala
Suomeksi täältä
A inspiração para nomear este blog foi evocada pela metáfora de Benedict Anderson, as nações manifestam-se ao sonhar, e pelo romance do autor moçambicano Mia Couto, a “Terra Sonâmbula”. O sonho desta terra sonâmbula ainda continua às vezes mais agitado, nos debates, nas discussões, nas cerimonias, nas ruas, nas canções, portanto, incessante...
A inspiração para nomear este blog foi evocada pela metáfora de Benedict Anderson, as nações manifestam-se ao sonhar, e pelo romance do autor moçambicano Mia Couto, a “Terra Sonâmbula”. O sonho desta terra sonâmbula ainda continua às vezes mais agitado, nos debates, nas discussões, nas cerimonias, nas ruas, nas canções, portanto, incessante...
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Hitawonana!
Por falta do tempo e do financiamento o versão Portugues do este blog está temporalmente parado.
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Parabens para Você!
terça-feira, 8 de maio de 2012
Semelhança com patos por razões diferentes
Antes
de começar esta história originalmente publicado em Finlandês já em Novembro do 2011, quero avisar, aos meus leitores, que não é o propósito
desta carta prejudicar os sueco-finlandeses, nem os moçambicanos, nem o
senhor Presidente do Moçambique Armando Guebuza. Sem dúvida, isso já me
faz perder vários leitores que preferem seguir outros tipos de polêmica.
![]() |
| Este pato não é Moçambicano mas de Fiskars. |
Não sei se é bem verdade, mas falam que o
presidente seria o homem mais rico no país. O Sr. Guebuza revelou, não
há muitos anos atrás, à imprensa nacional a causa do seu sucesso
econômico. Ele contou que ficou rico através da venda de patos. No
início, o povo ficou pasmo, pois era muito difícil imaginar alguém se
enriquecer vendendo uma mercadoria tão barata. Então algum esperto
descobriu que é mesmo possível enriquecer-se desta maneira, caso venda
um número suficiente de patos. Mas, seguindo os cálculos, para criar uma
fortuna igual, seria necessário vender 23 milhões de patos. Na imprensa
alternativa do Moçambique, que se compôs de uma rede de fofocas, fortalecida
pela tecnologia moderna, a piada se espalhou como um incêndio. A
picuinha está no fato de que, a população do país justamente de 23
milhões, resulta na compreensão imediata dos moçambicanos: “Os patos,
somos nós”.
Patos por razões diferentes
E os sueco-finlandeses, a minoridade linguística na Finlândia? Quando eu relatei para um amigo moçambicano, que estes se referem a sua própria comunidade como uma lagoinha de patos, onde todos conhecem um a outro (e de onde, seguindo alguns, ninguém sai), ele soltou uma gargalhada: “Nós moçambicanos parecemos os sueco-finlandeses, neste sentido que ambos achamos semelhança com patos!” Depois pensei eu, que a parábola é usada por razões contrárias. Os sueco-finlandeses utilizam a metáfora da lagoinha de patos para exprimir o quanto são poucos, enquanto os moçambicanos divertem-se com a história de patos por serem muitos. Isso se parece mesmo superficial. Portanto, talvez traga luz ao assunto comparar esses dois grupos mais um pouco.
Os sueco-finlandeses são uma
minoridade linguística tradicional, a maior da Finlândia com cinco por
cento da população, que podem se escolarizar em sua nativa língua sueca e
são intitulados para tratamento de saúde neste idioma (porém, isso na
prática, é variável). Na Finlândia, o sueco é chamado o segundo idioma
nacional, é a língua oficial do país. Em Moçambique, algo parecido iria
apresentar um grande desafio, sendo este país composto de diversos
grupos étnicos e linguísticos, dos quais, nenhum sozinho alcança o
tamanho igual do sueco-finlandes quando comparado com a população
inteira. Os moçambicanos se escolarizam em português, que é língua
materna para raros, e recebem serviços públicos de saúde na sua própria
língua só quando a enfermeira por acaso é familiar a essa. Os
sueco-finlandeses às vezes acham o seu idioma ameaçado na Finlândia. Os
moçambicanos talvez não saibam nem sonhar em poder estudar, acessar
serviços públicos ou ler jornais em sua língua nativa, das quais, as
menores só são falados por algumas dezenas de milhares de moçambicanos.
Aprendizagem desde Moçambique
Não seria facil organizar a situação linguistica do Moçambique oficialmente com tão baixo custo, e seguindo a opinião da maioria, com tão bom funcionamento, que na Finlândia. Em vez disso nos, os finlandeses, pudéssemos apreender com o multilinguanismo extraoficial, no qual até as pessoas sem escolaridade costumam dominar vários idiomas – a lingua materna, a lingua falada pelo pai, e não raro, também a lingua do grupo vizinho – e quem estudou na escola, o português. Os antigos combatantes e os moradores do norte do país falam, além das linguas vizinhas, o swahili, “o inglês da África de Leste”, falado por cem milhões de pessoas. O português é a sexta lingua maior do mundo, falado por mais de 200 milhões de pessoas.
Em Moçambique, a vida pública funciona, pois quase nenhum dos grupos étnico-linguisticos é, enquanto à sua lingua, o lugarejo isolado como alguns municípios suecos da Finlândia: estes têm pouca interação com o resto do país e do mundo. Municípios bilingues, como Raasepori onde moro, no pior dos casos, parecem-se duas comunidades unilinguísticas na mesma área, cujos membros leem jornais diferentes e não conhecem uns aos outros. Nos deveriamos colocar as crianças finlandesas, como suas pares moçambicanos, numa imersão linguistica semelhante, poderia ser mesmo extra-oficial. Esse multilinguismo moçambicano contribui para a facilidade de qualquer novidade ou piada mais nova alcançar todos os moçambicanos – embora não fosse publicada em jornal nenhum.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Repreção da venda da rua seria idiotice
Este texto é escrito para a imprensa de Moçambique e porque não tém a ortografia Brasileira como geralmente, agradeçoes para a experiençia e a educação da redação Portuguesa. Neste vez agradeço também meu caro collega Moçambicano pela ajuda com a ortografia adoptado aqui.
No
final do Fevereiro o Concelho Municipal da Cidade de Maputo (CMCM)
declarou guerra contra as barracas de venda e os vendedores da rua.
Uma guerra mesmo! O edil David Simango deu seu rosto à campanha,
anunciando que, em particular, as barracas nas calçadas ou que de
alguma outra maneira ”causam problemas” devem ser tiradas dentro
de 48 horas, ou serão tranferidas através de intervenção
policial. Para além dos jornalistas, que fizeram eco das palavras do
edil e tomaram posição em espaços de opinião, muitas vezes
criticando a postura do CMCM, não parece ter havido muitos outros
comentários contra as palavras belicistas de Simango. Eu também
ouvi muitas vezes que já não é actual esta guerra, mas não posso
concordar porque o medo persiste nas ruas e parece resultar desta
última intervenção polémica do CMCM.
Os
vendedores de rua, comparáveis em termos numéricos a uma população
de uma cidade finlandesa de médio porte – em jornais diferentes
são estimados em cerca de 80 000 – começaram um contra-ataque
oportuno, enquanto os jornalistas moçambicanos mediaram os pontos de
vista dos "informais", inclusive nos jornais que apoiam o
partido Frelimo, de que Simango é membro. O edil que, nas reuniões
anteriores tinha atacado os vendores, tinha que acalmar-se e admitir
ter perdido a sua guerra. As barracas e os vendores continuam
servindo a sua clientela como sempre.
Conversei
com algumas pessoas nas ruas de Maputo, entre vendedores e clientes.
Um vendedor ambulante de recargas de telemóvel criticou a errada
estratégia de Simango avisando-o para concentrar-se em problemas
reais, como por exemplo a cobertura de das aberturas nas ruas e
estradas, também conhecidos em Maputo como”burracos do Simango”.
Uma vendedora de frutas e amendoim perguntou o que o os vendedores
irão fazerse lhes for vedada a venda nas ruas? Ficar em casa?
Algumas vendedoras de frutas diziam-me que não posso tirar o
fotografia, “porque a municipalidade nâo quer, eles nâo querem
demonstrar a verdade , eles não querem que a gente no seu país veja
fotografia de nosso negócio." Também um cliente da vendedora
dos jornais disse que o mais provável é que Simango quisesse criar
a ilusão, para os estrangeiros, de um Moçambique limpo, empurrando
a miséria e a a pobreza para os bairros periféricos fazendo lembrar
o caso do "muro da vergonha", construido no ano 2002,
aquando da realização de cimeira da União africana em Maputo. Se
isto é verdade, como seriam os investidores atraídos por aquela
cruel e mentirosa imagem?
Se
este tipo de guerra tivesse sido declarado no meu país, eu ia ficar
ponderando, se o edil é mesmo estúpido ou simplesmente mau.
Portanto, na minha condição de cidadão estrangeiro, que não sabe
se isso seria adequado aqui, limito-me a reflectir sobre os motivos
possíveis. Foi, talvez, um método do edil para preparar a imposição
de novos impostos para os vendedores, ditos informais, mas que apesar
disso já estão sobrecarregados por vários tipos de contribuições
exigidas. Ou será que o CMCM realmente quis colocar no desemprego
milhares de moradores, a maioria dos quais oriundos dos bairros
periféricos, que já batalham pela sobrevivência diária nas ruas
do cidade de cimento; assim transformando pequenos negociantes em
mendingos ou até forçando pessoas ao crime em vez de negócio e
trabalho honesto. Aínda bem que este pesadelo contra a sociedade,
desenhado nos gabinetes de Simango não se realizou. Agora amigos de
Moçambique podem suspirar de alívio, que a guerra contra a
população menos favorecida acabou, pelo menos por enquanto.
terça-feira, 20 de março de 2012
Gaiola dourada separa o povo e os mulungos
Falei, há um tempo, com um funcionário do Ministério dos Negócios
Estrangeiros finlandês, que lamentava o quanto é limitada a sua
movimentação aqui em Moçambique. Para eles, não é permitido um acesso
completo a informações das condições do país, mas ficam só na sua
gaiola dourada, nas circunstâncias confortáveis de Polana Cemento.
Mas do que realmente é construída essa gaiola dourada? Moçambique, pelo menos, em princípio, é um país livre e seguro em grande parte. E, por isso mesmo, eu, um pesquisador livre, não tenho tido maiores dificuldades em conhecer Maputo, inclusive a vida periférica suburbana. Já me familiarizei com Mahubo, que fica atrás do Boane, que é feito famoso pelo Henning Mankell, e com seus moradores que servem a bebida kanju de cabaças cortadas. Conhecimento mais aprofundado, obviamente, exige tempo e paciência, entre outras coisas, como músculos nas pernas! Então eu não vejo uma gaiola dourada, mas, conforme dito por um colega antropólogo, um "mundo de Mundos", no qual, seguindo o nome de um restaurante local, os estrangeiros de Maputo e trabalhadores moçambicanos de ONGs, bem como a elite, encontram-se sem perceber o povo na rua, senão como uma distração que atrapalha a recuperação do trabalho. Neste mundo com bebidas chamadas “orgasmo” e terças-feiras de pizza, há seu lado convencedor, e muitos nem querem sair dali.
A gaiola de ouro, sem dúvida, existe como algum tipo de estrutura, mas nada tão concreto como, por exemplo, as proibições extensas de viagens na antiga União Soviética. Não tem ninguém que realmente forçasse alguém a ficar nos mundos fechados da Polana ou Sommerschield. No entanto, mesmo os estrangeiros que estão interessados em explorar mais profundamente a realidade social de Moçambique, sentem-na muitas vezes quase impossível. Gostaria de pedir aos meus compatriotas que aqui vivem e, em geral, a todos que reconhecem a gaiola dourada, o que é a sua opinião sobre as características dessa gaiola? Podemos, portanto, fazer um esforço para resolver o problema da gaiola, que é prejudicial não apenas aos estrangeiros, mas também para os moçambicanos comuns, que ficam desconhecidos no outro lado da gaiola – vistos como números nas estatísticas, fatores imprevisíveis no planejamento de negócios ou como meros objetos de medidas.
Mas do que realmente é construída essa gaiola dourada? Moçambique, pelo menos, em princípio, é um país livre e seguro em grande parte. E, por isso mesmo, eu, um pesquisador livre, não tenho tido maiores dificuldades em conhecer Maputo, inclusive a vida periférica suburbana. Já me familiarizei com Mahubo, que fica atrás do Boane, que é feito famoso pelo Henning Mankell, e com seus moradores que servem a bebida kanju de cabaças cortadas. Conhecimento mais aprofundado, obviamente, exige tempo e paciência, entre outras coisas, como músculos nas pernas! Então eu não vejo uma gaiola dourada, mas, conforme dito por um colega antropólogo, um "mundo de Mundos", no qual, seguindo o nome de um restaurante local, os estrangeiros de Maputo e trabalhadores moçambicanos de ONGs, bem como a elite, encontram-se sem perceber o povo na rua, senão como uma distração que atrapalha a recuperação do trabalho. Neste mundo com bebidas chamadas “orgasmo” e terças-feiras de pizza, há seu lado convencedor, e muitos nem querem sair dali.
A gaiola de ouro, sem dúvida, existe como algum tipo de estrutura, mas nada tão concreto como, por exemplo, as proibições extensas de viagens na antiga União Soviética. Não tem ninguém que realmente forçasse alguém a ficar nos mundos fechados da Polana ou Sommerschield. No entanto, mesmo os estrangeiros que estão interessados em explorar mais profundamente a realidade social de Moçambique, sentem-na muitas vezes quase impossível. Gostaria de pedir aos meus compatriotas que aqui vivem e, em geral, a todos que reconhecem a gaiola dourada, o que é a sua opinião sobre as características dessa gaiola? Podemos, portanto, fazer um esforço para resolver o problema da gaiola, que é prejudicial não apenas aos estrangeiros, mas também para os moçambicanos comuns, que ficam desconhecidos no outro lado da gaiola – vistos como números nas estatísticas, fatores imprevisíveis no planejamento de negócios ou como meros objetos de medidas.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Meus dias típicos no Maputo
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Bom, as semanas se passam no cotidiano.
De manhã acordo meio cedo, despertado pelo calor, a luz, e o barulho
dia-a-dia da vizinhança. Eu como alguma coisa, tomo um café e
sempre tomo um banho. Aínda a pressão de água na minha casa não é
suficiente para a duche, então é com balde mesmo.
Eu sou um destes antropólogos, que
veêm o acompanhamento da imprensa local como uma parte essencial do
trabalho do campo. Apesar que, as revistas independentes do
Moçambique tem edições a menos de 10 000 cópias, abrem janelas à
paisagem dos pensamentos da nação e à discussão pública. Um
artigo publicado pode atingir atenção rápido, quando preciso,
embora que nem a metade oficialmente dito da população soubesse
ler. Si eu não lesse jornais e revistas e conversasse sobre os temas
neles relatadas com os meus vizinhos, eu não tinha como entender os
títulos bem críticos como ”Pato na forja” ou ”Abutres querem
matar Cardoso pela segunda vez”. Portanto, já chega de leitura.
Um bom dia para o porteiro e à
secretaria, e vou trabalhar. Últimamente tenho usado o meu tempo com
a Introdução do meu tese de pós-graduação de Ph.L., que no
sistema européu atual precede o doutorado, e com a tradução
inglesa do nosso artigo sobre o rapista moçambicano Azagaia; com um
outro artigo referido; com o lançamento deste blog e com os
requerimentos de financiamento. O meu trabalho principal aqui em
Maputo é estudar a língua de (ki)mwani, falada no norte do país,
com a instrução do lingűista Assumane Abudo, para o meu trabalho
de campo em Cabo Delgado previsto para começar em Abril. Por cima,
tenho estudado monografias, que na Finlândia não se encontra, lá
só na Instituição de Estudos Africanos de Uppsala, em Suécia.
Assim que são as minhas notícias principais. Eu por mim vou bem. Eu, e meus 200 milhões de leitores possíveis, também gostariamos de saber as suas notícias, ou seus comentários!
Caro leitor,
Fiquei sabendo que, lá na minha terra natal, a temperatura
desceu aos graus temíveis até abaixo de -35; você como tem lidado?
Dizem que faz um frio também em Portugal, mas no resto do mundo
lusófono, não passamos frio não. Aqui em Maputo já sentimos o
calor de +37. Agora, para variar, vou contar sobre o que é mesmo que
eu estou fazendo aqui em Moçambique!
| Vida productiva e recriativa no nosso bairro |
...Quer dizer, além de passear a bater
papo à toa com a galera por aí – o que já devem ter percebido
das minhas cartas...
| O caminho para a mais próxima parada de chapas, no fundo o Oceano Índico. |
Momentos de leitura
Muitas vezes eu só tomo uma água em
casa e no caminho compro um pãozinho e badias, tipos de pastel de
feijão. Ou então eu vou de chapa, o mini-autocarro local, até a
Avenida Eduardo Mundlane, em vez do campus universitário, para
comprar o jornal ”O País” na frente dum café, junto às
revistas semanais mais críticas, ”Zambeze” e ”Savana”, pelo
menos quando estão disponíveis no final da semana. Nas outras
revistas semanais independentes, como ”Canal de Moçambique”,
”Público” e ”Magazine Independent”, eu já dou uma lida
dentro do café, acompanhado por um café com leite, uma torrada e um
caderno de notas. O jornal ”Notícias” eu customo ler na
biblioteca do departamento, pois como o jornal mais financiado do país,
que está em favor do partido em poder, parece que é distribuido a
todas as instituiçoẽs públicas.
| Mais atividades productivas às 7 de manhã |
Os chapas, que me levam até ao campus
universitário, ficam incompreensívelmente lotados. Eu já tinha que
me acostumar com a proximidade que, tem um lado simpático, mas
lamento ser resultado da grave carência no equipamento de
transportação pública que, nos últimos anos, sempre piorou.
Muitas vezes me encostando o peso num pé só, no colega transeunte
ao lado ou no colo dele, segurando a mão na parede ou no teto, eu
finalmente chego no campus, onde pego o caminho ao meu escritório no
Centro dos Estudos Africanos por entre as trabalhadoras rurais
cultivando seus terrenos.
As letras do Azagaia despertam
discussão pública
|
| Foto: http://fobloga.blogspot.com |
Rico e pobre
No final da tarde, os chapas estão
lotados, então muitas vezes prefiro ir à pé, caso vou para casa. A
minha trilha vai para atrás de um bairro de elite, o cercado
Sommerchild, e um bairro de baixa renda, Polana Caniço, para até o
nosso bairro, populado tanto pelos jovens de classe média, quanto de
pequenos negociantes e pescadores tradicionais, à beira do Oceano
Ìndico.
À noite durante a semana, vou treinar
capoeira, ou leio revistas e jornais, ou tomo alguma cerveja com os
meus vizinhos em alguma das várias barracas do bairro. É mais
gostoso sentar ao ar livre antes de deitar, pois faz um calor dentro
da casa, enquanto as ruas de areia do nosso bairro refrescam-se por
uma brisa do mar. Aos sábados de manhã, vamos jogar futebol abaixo
da radiação solar quase sufocante, ou as vezes jogamos no domingo
ao final da tarde na praia exposta pela maré. Pelo menos aos
domingos à noite vou dançar à música ao vivo.
Apesar de não me ligar muito com a
política, parece que tanto fica meu pensamento na esquerda da
maneira finlandesa que, nunca me deu necessidade de ter uma empregada, ao contrário de muitos meus colegas e quase todos os
europeus aqui. Sou eu quem cozinha para mim, eu lavo a minha louça e
a minha roupa com o sabão local de ótima qualidade. Claro que as
vezes vou comer nos cafés e restaurantes, e de semana almoço na
faculdade.
Assim que são as minhas notícias principais. Eu por mim vou bem. Eu, e meus 200 milhões de leitores possíveis, também gostariamos de saber as suas notícias, ou seus comentários!
Saudações cordiais,
Janne
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